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17/12/2010

O motociclista e as obrigações

É fato que a vida em sociedade está em constante evolução. Novas regras surgem alterando o nosso dia a dia, isso ocorre em diferentes setores. Às vezes as novas regras causam grandes transtornos, para evitar isso a sociedade deve estar sempre mobilizada e atenta ao que está acontecendo à sua volta.

Tenho escutado muitas reclamações a respeito da inspeção ambiental, é claro que a primeira medida que tomei foi consultar a legalidade junto aos órgãos competentes. Uma vez, estando amparada por lei, temos que cumpri-la. Afinal a própria constituição determina: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Assim, se tem lei, temos uma obrigação a cumprir.

Acontece que, em se tratando de uma nova regra, inevitavelmente surgem os boatos, e isso acaba gerando temores injustificados do tipo ‘minha moto não vai passar, o que eu vou fazer?’ ou ‘que lei absurda! É só para arrecadar’.

É claro que há aspectos da regra que é discutível, e isso sempre fazemos no sentido de preservar os nossos direitos. Porém trata-se de uma obrigação, a não observância gera bloqueio do licenciamento e multa.

O fato é que há poucos dias chegou a minha vez de passar minha moto pela inspeção ambiental, é claro que os boatos chegaram a mim criando expectativas não muito boas, entretanto tomei a seguinte decisão: seja como for vou passar por isso. Fui ao meu despachante, ele gerou os boletos, efetuei o pagamento, e agendei com o meu mecânico de confiança a revisão da moto. Dois dias depois voltei ao despachante para agendar a inspeção.

A moto em questão possui 600 cc, carburada. Enchi o tanque de combustível no posto de bandeira de minha preferência, e que estou acostumado a abastecer, e levei a moto para a oficina. Como marquei a inspeção às 20h, por volta das 18h retirei a moto no mecânico e fui para o local de inspeção. O mecânico me disse: “está tudo bem com sua moto, creio que ela vai passar. Caso contrário, eles vão emitir um laudo especificando o problema da moto, aí fazemos a correção que se fizer necessária e você retorna para fazer a inspeção”.

Chequei ao local muito bem instalado. Fui recebido de maneira cordial e entrei em uma pequena fila. Quando chegou a minha vez fui muito bem orientado, e em alguns minutos o inspetor pediu que eu retirasse a moto da área de inspeção, instantes depois, ele me entregava o certificado de aprovação. Ou seja, tudo resolvido, mais uma obrigação cumprida.

É certo que nem todos os veículos são aprovados na primeira inspeção, isso gera transtornos e dependendo do caso será necessário fazer reparos, e isso acarreta despesas. Mas faça o seu papel de cidadão, procure profissionais competentes e honestos, eles existem, e não sofra por antecipação, dê um passo de cada vez.

Como sempre gosto de dizer, cumprir os nossos deveres nos habilita a conquistar nossos direitos, tem muita gente boa desinformada, mas há também muita gente que só sabe reclamar, porque para elas quanto pior melhor. Ledo engano.

A vida só vale à pena quando contribuímos para um mundo melhor. Afinal, qual é o mundo que queremos para os nossos filhos. Pensemos nisso!

* Lucas Pimentel é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN. Fonte: ABRAM