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07/12/2010

O que esperar do ano que vem

Realmente considero louvável a iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) em estabelecer a próxima década, que compreende os anos de 2011 a 2020, como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”. Falamos sobre isso em Joinvile, ao participar do IV Seminário CETRAN/SC de Educação, Segurança e Administração do Trânsito, e do 1º Seminário Municipal de Educação e Prevenção de Acidentes de Trânsito.

Entretanto, chamou-nos atenção a palavra “ações”, ou seja, não é mais tempo de propor, o momento agora é de realizar. Sim é momento de ações efetivas que visem promover de fato a segurança no trânsito. Então, antes que apareçam empresas, usando esse relevante tema tão somente para se autopromoverem, e com isso venderem ainda mais seus produtos que definitivamente não primam pela segurança, nós resolvemos partir para a prática. Por isso, decidimos que 2011 será o ano que marcará, definitivamente, nossas ações para a segurança do motociclista no trânsito, daí a campanha “2011 o Ano da Segurança do Motociclista no Trânsito”, neste sentido pretendemos mexer na zona de conforto de muita gente.

As crescentes ocorrências de trânsito envolvendo motociclistas que decorrem de problemas com a via, com o veículo, com o condutor, com a sinalização e com a legislação, serão tratamos com a seriedade que o assunto merece.

Pergunto a você: será que os cidadãos americanos, europeus, japoneses e outros valem mais que os cidadãos brasileiros?

Porque será que os produtos vendidos para esses países por empresas brasileiras não são os mesmos disponibilizados no mercado interno?

Porque será que existem nesses países tantas exigências e cuidados, com a via, e a sinalização, que nós aqui ignoramos completamente?

Se por um lado à frota mundial de veículos ultrapassou a casa de um bilhão, a frota de moto em todo o mundo esta na casa de 250 milhões de unidades. Então já passou da hora de se reformular a norma ASTM, realizando estudos técnicos sobre o comportamento da motocicleta na via. Passou da hora de desenvolvermos sinalização que atenda as especificidades da motocicleta, sinalização especifica e apropriada ao campo de visão do motociclista. Passou da hora de termos iluminação pública eficiente para atenuar a acuidade visual dos condutores, principalmente os de motocicletas.

Assim, como vimos, há muito para se fazer, entretanto, se não nos mobilizarmos, passará a próxima década e tudo continuará como agora: 1500 ocorrências de trânsito envolvendo motocicleta por dia no país, 27 motociclistas mortos por dia, 10 mil por ano, pessoas comprando ciclomotores, enganadas, pensando não precisar de registro licenciamento ou habilitação. Motocicletas chinesas sendo vendidas sem a devida adaptação técnica à realidade brasileira, empresas se valendo de seu poderio econômico para enganarem a sociedade e os apaixonados por motocicletas, vendendo veículos com pneus para pista seca, sem alertar os consumidores, e, vendendo veículos de projetos ultrapassados como sendo novos modelos.

Por tudo isso, 2011 o ano da segurança do motociclista no trânsito, pensemos sobre isso.

Lucas Pimentel é presidente da ABRAM - Associação Brasileira de Motociclistas, membro titular da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do CONTRAN.

Fonte: ABRAM Brasil